Depois de mais um tempão sem noticias por absoluta falta de tempo aí vai o relato dos últimos meses.
Temos participado de muitas regatas. Bob no Memê e eu com as meninas.
Participar de regatas tem sido uma aventura incrível além de nos proporcionar muito aprendizado. No final de junho fui para Brasília participar do Saias ao Vento. Um evento muito bacana e só para mulheres. Começamos a nos preparar para essa regata em maio e fui convidada para fazer proa no Malagueta, um Velamar 22 espertinho da única equipe feminina aqui da Bahia. Eu já tinha feito a proa em duas regatas com uma tripulação feminina que formamos aqui no ano passado mas as condições agora seriam muito diferentes. Primeiro por ser um barco menor onde eu faria a proa sozinha e segundo porque as regatas em Brasília são barla-sota (ir para a bóia no contra vento e voltar com vento de popa) – isso significa subir e descer o balão várias vezes.
Confesso que os primeiros treinos foram desastrosos :) Eu ficava super confusa com tantos cabos e o balão sempre se enroscava em algum lugar na hora de subir...era frustrante... Depois de muitos treinos as idéias e os cabos foram desembaralhando e agora posso dizer que sou uma proeira razoável (ainda falta muita coisa prá aprender, como por exemplo poder antecipar as manobras e entender as táticas durante a regata, mas essa será uma nova fase) . Além da experiência e do aprendizado, o programa foi ótimo. Fomos para Brasília numa quinta-feira e treinamos, treinamos, treinamos – dei muitas risadas também, fiz novas amizades e conheci a terra do mensalão, mas vamos falar de coisas boas... Na regata aconteceu de tudo e nós perdemos feio pois toda a nossa equipe era composta por principiantes - cada uma em sua função - além do fato de estarmos acostumadas aqui com outro tipo de clima e regata e a mulherada lá ser fera mesmo.
Voltando de Brasília não tive muito tempo pra velejar...muito trabalho, tempo ruim...enfim. O Bob participou da Regata de Dupals no Memê com um amigo (vice campeões !) e na semana passada fui mais uma vez com as meninas no Malagueta. Dessa vez eu fiz o piano, uma espécie de faz tudo cuja principal função é cuidar dos cabos do amantilho e burro do pau (ou contra-amantilho) – bem mais tranqüilo do que fazer a proa que é ralação pura.
Por falar em amantilho e burro do pau, estou aprendendo todos esse palavrões que a gente precisa aprender pra velejar: genoa, valuma, gaiúta, catraca, garruncho, estai, buja, manilha, escota, olhal, lais de guia, ufa! E isso é só o começo...he, he, he...Em Brasília demos muita risada com essa história do pau de Spinaker que chamamos simplesmente de pau. É pau pra cá, pau pra lá, levanta o pau, cuidado com o pau, o pau vai cair, me dá o pau...não dá pra não brincar...o melhor foi a gente no táxi que nos levou do aeroporto para o clube imaginando como seria o pau de Spi do nosso barco (que seria gentilmente cedido por um velejador candango) e nos perguntando sobre o saco do balão. O motista do táxi deve ter achado que éramos umas depravadas dispostas a abalar Brasília (mais do que já está...mas vamos falar de coisas boas...) .
Nossos diálogo sobre pau (de Spi) era mais ou menos assim:
Eu – Será que o pau está bom? Devíamos ter trazido o nosso por precaução.
Gilka – É mesmo, ainda bem que eu trouxe o nosso saco, vai saber como é o saco do cara.
Táta –É. Quando o pau está ruim é fogo. O do Malagueta estava horrivel, ainda bem que o Bob deu o pau dele prá gente.
Dá para imaginar o que o motorista pensou de nós né?
Bom, prá concluir: Estamos MORRENDO de vontade de fazer um cruzeirinho mas São Pedro não está ajudando. Temos feito algumas reforminhas no Memê e ele está mais lindinho a cada dia. Até a próxima...
Chegando do treino em Brasília, num incrível por do sol
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