Voltei

Desculpem queridos leitores desse blog (se é que vocês existem) por estar tão ausente...As coisas tem acontecido numa rapidez maior do que meu tempo para escrever permite, sendo assim, estou atrasadésima com as novidades.

 

A primeira delas é que agora faço parte de um grupo de velejadoras (só mulheres, yes!) que se chama Rosas dos Ventos.  Tudo começou quando mudou-se para Salvador uma velejadora de Brasília (Christina Frediani) que resolveu agitar o lado da vela feminina por aqui. O terreno estava fértil e em pouco tempo já formamos uma equipe, corremos (e ganhamos!*) duas regatas, nos reunimos semanalmente, já trocamos muitas experiências , informações e eu já aprendi muita coisa, inclusive a gostar mais ainda de velejar. Já sou Arrais e em seguida começamos um curso para Mestre Amador. * no corrigido ficamos em segundo e terceiro, mas o gostinho foi de vitória !

 

Nós, do Memê, temos velejado bastante também. Tivemos 15 dias de férias e cruzeiramos bastante pela Baía de Todos os Santos.

 

A cada dia e a cada velejada temos nos sentido mais seguros (ainda sem sair da Baía) mas achamos que esse “estágio” está sendo importante para os próximos desafios – o prirmeiro será ir até Morro do São Paulo.  Falando em sair da Baía, outro dia fomos fazer essa aventura, a Mariana e um amigo estavam com a gente. A idéia era pegar um pouco de mar aberto então rumamos em direção ao Farol da Barra com a intenção de irmos até Itapoan. O problema é que justo nesse dia, o vento não estava pra peixinhos e enquanto estávamos em águas abrigadas o vento chegava a uns 20 nós com rajadas de 25.  Quando chegamos ao Farol da Barra o bicho pegou e o mar ficou totalmente confuso, nós começamos a pular que nem pipoca, o Michel (nosso amigo) que estava na proa quase foi parar no mar e a Mamá  nessas alturas já estava protestando. Meia volta....mar tranqüilo, ficou pra próxima.

 

Férias

 

Durante nossas férias ficamos bastante em  Itaparica e também fomos para Ilha do Cal, Mutá, Tororó, Catu e Maragogipe. Conhecemos muitos velejadores de fora em Itaparica já que lá é um belo point para os cruzeiristas internacionais e os daqui que estão de passagem...um monte de gente interessante. Conhecemos Lars e Brigitt, um casal de Suecos ultra simpáticos que se aposentaram e agora velejam pelo mundo, os dois quase velinhos já, imagina, estão aí, jogando duro na vela. Vieram da Suécia para cá passando por Portugal, Cabo Verde, Recife e agora estão por aqui...amando o Brasil.  Conhecemos também a galera do Vagabundo, o veleiro que era do Helio Setti (um velejador que deu a volta ao mundo e escreveu um livro super gostoso sobre suas aventuras – depois de um tempo que voltou, ele morreu super jovem e deixou esse livro que é um relato de um apaixonado pela vida e pela vela) .

 

 

Os Vagabundos no Paraguassú 

Mias uma vez em Maragogipe

  

Quando conhecemos  os “Vagabundos”– Fábio, Rose, Márcia, Roberto e Amália  – eles estavam de bobeira, pensando em fazer algum cruzeiro rápido pois teriam que voltar para São Paulo. Depois de algum tempo de bate papo sobre os locais bons de se cruzeirar, sugerimos o Paraguassú. Eles se empolgaram na hora  e como nós também estávamos livres para qualquer coisa resolvemos ir juntos e partir em algumas horas.  A viagem foi deliciosa e começou com uma velejada super agradável chegando em Maragogipe com um lindo por de sol. À noite combinamos um jantarzinho juntos no Memê, eles trouxeram a massa,  e nós entramos com o fogão e o vinho. Uma noite muito agradável, conhecendo outras vidas, outras histórias, eu adoro. No dia seguinte fomos velejar pelo rio e procurar uma cachoeira que disseram pra gente que tinha por ali...velejamos o dia inteiro e não encontramos cachoeira nenhuma, mas a velejada foi ótima e a companhia também. Chegamos em Maragogipe e desembaacamos para matar a fome.

Foi super engraçado porque a cidade fica no alto e a gente desembarca num píer super comprido, chega num lugar meio esquisitinho. Todo mundo estava azul de fome e não estávamos muito a fim de ficar carregando a Mariana (que já estava cansadinha) no ombro. Então a idéia foi pegar um transporte para subir até a cidade e encontrar um restaurante o mais rápido possível. Quando falamos de restaurante o motorista da van nos disse que o único que tinha “marisco” – n.t.:frutos do mar para quem não fala baianês - era um que estava na nossa frente, um lugar feio e escuro que mais parecia uma garagem do que um restaurante. Nós ainda insistimos, perguntando se lá na cidade não tinha opção mas ele foi categórico e então resolvemos ver de perto.

Chegando lá encontramos com uma daquelas negonas baianas de cara boa sentada em uma das mesas e meio ressabiados perguntamos se tinha comida, ela disse sim, se tinha frutos do mar, ela disse sim, se a comida era boa, ela disse eu ponho na mesa e vocês me dizem. Sentimos firmeza, o lugar já não nos pareceu tão assustador assim e acabamos sentando e pedindo um monte de comida: camarão frito, carne de sol, peixe frito, moqueca de camarão....e algumas caipirinahs e cervejinhas. A fome era muita mas a comida...hummmm....maravilhosa. O mais engraçado depois de estarmos ultra satisfeitos foi descobrir que o motorista da Van era o maridão da cozinheira que era também a dona do restaurante, he, he, pelo menos a indicação foi boa e quando subimos para a cidade descobrimos que realmente não tinha outro que servisse frutos do mar.

 

A cidade de Maragogipe me pareceu um pouco surreal...não sei se por sua geografia, se por estar um pouco abandonada, se por ter uma arquitetura que mistura os mais diversos estilos imagináveis ou se foi pelos presépios que encontramos montados nas casas....isso sim...foi surreal...Até agora me arrependo por não ter desembarcado com uma máquina fotográfica.  Vou tentar dar uma idéia do que são esses presépios já que não tenho fotos para ilustrar: pelo que deu pra entender deve ser uma competição das carolas da cidade para ver quem tem um presépio mais bonito, mas quando imaginar um presépio, não imagine um cantinho pequeno com umas estatuetazinhas de reis magos e um neném minúsculo em uma mangedoura. Imagine que as pessoas tiram TODOS os móveis da sala de estar  -que geralmente dão para a rua, pois a maioria das famílias moram em casarões antigos – e montam um instalação que é  um presépio com muitos animais, estatuetas grandes, flores artificiais, uma mangedoura de tamanho quase real, luzes piscando, som de fundo...inimaginável, acho que será difícil descrever. Conforme fomos descendo para ir embora fomos passando pelas casas e vimos os mais diversos tipos e modelos de presépios e suas donas muito orgulhosas nas portas das casas. Muito legal.

 

Para fechar o dia com chave de ouro, quando pegamos nossos botinhos para remar até o barco vimos que a água ficava iluminada conforme o remo corria. Já tínhamos visto planctons em outro lugares, mas acho que lá, por ser tão escuro, eles pareciam ser mais brilhantes. Acabei o dia, ou melhor, a noite, dando um mergulho iluminado nas águas do Rio Paraguassu...

 

 

Chegando em Maragogipe

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