Regata Aratu Maragogipe

Chegamos de mais uma tão esperada aventura. Participar da Regata Aratu Maragogipe.

 

Quem disse que o melhor da festa é esperar por ela, tem razão. Apesar dessa festa ter sido tão boa quanto a espera.

 

Passamos a semana toda nos preparando: estudamos a rota, colocamos os waypoints no GPS, nos reunimos com os mestres para pegar as dicas, o Bob tirou o Arrais, enfim, na sexta-feira já não conseguíamos nos agüentar de tanta ansiedade. Mamá não foi dessa vez, como não sabíamos o que viria pela frente preferimos deixá-la com a vovó.

 

Na sexta de tarde fomos para o clube preparar o Memê. Tínhamos uma lista cheia de coisinhas pra fazer e foi super bom ficar lá, ajeitando tudo, limpando, organizando, vendo todos os velejadores chegando, entrando no clima da regata...é muito legal ver como todos curtem e se preparam para essa grande festa. A Regata Aratu Maragogipe é uma das maiores do Brasil e esse ano ainda teve a participação dos barcos do Cruzeiro Costa Leste com sua flotilha que veio do Rio de Janeiro. A rota também é especial pois a regata sai do mar e entra pelo Rio Paraguaçu até chegar na cidade de Maragogipe. Desde que começamos a velejar, todos nos falam sobre essa regata...para nós foi como um batismo na vela.

 

A festa começa na sexta-feira. O Aratu Iate Clube todo enfeitadinho para receber os participantes da Regata, muita gente. Nós ficamos lá, vendo tudo acontecer e dormimos no Memê. Só não deu para dormir direito porque o som era alto e a festa estava animada.

 

Tínhamos combinado com Neto de sair um pouco mais cedo, pois só íamos acompanhar a regata e não precisávamos seguir os horários oficiais da competição. 6 horas da manhã  já estávamos em pé, últimos preparativos, gelo, água, nossos hóspedes (Alex e Andréa) chegaram e lá fomos nós. O tempo fechado, ameaçando chover. O mar tranqüilo.

 

A travessia foi ótima. Depois de poucos minutos de velejada o Drakon já sumiu de vista e nós fomos fazendo tranqüilamente o nosso percurso, dando umas plotadinhas na carta para checar nossa posição. Eu marquei um waypoint errado no GPS que depois de um tempo marcava a rota inversa a que queríamos! Ainda bem que tudo estava tranqüilo e tínhamos assistentes para ajudar no trampo – tínhamos também diversos barcos como guia – era só olhar pra frente e para trás e ver um monte de veleiros de todos os tipos e tamanhos indo na mesma direção. Lá perto da entrada do Rio rolou um ventinho mais forte, bem na hora que o Bob me deu o leme para fazer xixi :)  Quando o vento está forte, o leme responde rápido, com as ondas o barco sobe, vira, e “perde” um pouco o vento, timonear nessas condições é difícil e eu ainda estou insegura, tudo bem, dei uns gritos e o Bob voltou logo. Essas sensações me lembram quando aprendi a dirigir carro, aquele medo que dá quando a gente para na ladeira sabe? Depois passa e vira brinquedo de criança e é assim que eu estou encarando a minha experiência no mar. Tem horas que fico com medo, mais eu sei que vai passar.

 

 

 

Maragogipe

Entrar no Rio Paraguaçu é emocionate.  Além de ser muito bonito, as condições mudam, não tem mais onda, o vento não é tão forte. Os barcos se juntaram e a Regata nos alcançou. A maioria do percurso é  feito com balão (aquelas velas grandes e coloridas) pois o vento é de popa. Parece um sonho estar naquele silêncio, no meio de tantos barcos, entrando naquele Rio com montanhas baixas na margem, vegetação exuberante, mata atlântica ...o tempo estava fechado, nuvens cinza, uma luz especial, diferente, mágica...eu me lembrei das Brumas de Avalon, viajei...

Bom, essas sensação era minha porque na Regata o “pau comia” . Era grito pra lá, palavrão pra cá, balão rasgando, um barco de pescadores fazendo batucada no meio, a gente encontrando amigos, conversando, conhecendo os barcos vizinhos, todo mundo brinca, se fala, o clima é ótimo, não tem stress, principalmente para quem não está preocupado em competir.

 

Nunca vi 8 horas passarem tão rápido! Em pouco tempo já avistamos Maragogipe. Como fomos devagar,  a maioria dos barcos já estava ancorado...procuramos nossos amigos no meio dos barcos, passamos pelo Drakon e fomos parabenizar Zé e Táta que, só pra variar, ganharam na categoria deles (fita azul, moral total).  Pulamos para o Táta, brindamos com a Champagne que eles ganharam e nos preparamos para a festa.

 

A premiação é na cidade com um churrasco e um palco armado para a entrega dos troféus. Lá vamos nós. Nem deu muito para conhecer o lugar. Ficamos mais na função da festa mesmo, queríamos estar com nossos amigos e sei que vamos voltar em outras ocasiões mais “turísticas”.  A premiação foi divertida, um monte de gente ganhou um troféu balde pra vomitar (palhaçadas da galera que organiza), encontrei a Renata (amiga virtual)  que fazia parte da  tripulação feminina que veio de Brasília correr no VMax - única tripulação feminina da regata – vimos nossos amigos receber o prêmio deles, todo mundo bebe, se diverte, e tenta achar os barcos na volta. Na verdade acho que essa é a grande aventura dessa regata. Você deixa seu barquinho lá ancorado, pega uma canoa daquelas “piscou, virou” – a gente descolou uma com motor – e vai para a festa. Chega lá, come, bebe e na volta...quem disse que é fácil encontrar seu barco? É muito escuro, tem um monte de barcos iguais ao seu...bem que o Alex disse pra gente levar o GPS quando saímos...na volta conseguimos um barco com motor daqueles que não tem ré nem direção, parece que vai bater em tudo e quando finalmente achamos nossos barcos o Memê quase foi abalroado por aquela coisa com motor. A gente gritava Pára, pára ! O piloto do treco falava Não dá, não tem ré, é a correnteza! E o barco indo de frente e rápido na direção do Memê – Quer me matar do coração? Deu uma batidinha e quem estava na proa segurou. No final nada aconteceu, mas a gente quase morreu só de pensar no nosso Memezinho com um rombo no casco.

 

Todos cansados, exaustos, ainda naquela onda, bater mais um papinho, um charuto pra comemorar...e cama.

 

É lindo amanhecer em Maragogipe , mais uma vez a paisagem era de sonho...

 

Depois do café da manhã é hora de voltar pois temos que ir na maré vazante. Vai todo mundo no motor, não tem vento...Saímos do Rio, o vento apareceu,  Zé deu a dica para motorarmos até um ponto que nos possibilitou levantar os panos e ir num bordo só até a entrada de Aratu. Na baía, golfinhos se despedem do Memê. O tempo abriu, o mar estava liso, o vento de través e eu matei a inveja que sentia da Mamá: dei aquela dormidinha no cockpit...tudo de bom!

 

 

 

 

Se quiser ver mais, clique em Fotos do Memê

 

 

 

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