A primeira velejada a gente nunca esquece....

 

Pois é. Vou considerar que demos nossa primeira velejada de verdade, pois desta vez saímos sem nenhum mestre com a gente.

Estávamos querendo fazer o cruzeiro de batismo do Memê nesse final de semana, que também foi meu aniversário, mas Zé e Táta não podiam e não sabíamos se Neto ia poder também. Já estávamos preparados para ir, no máximo, até a ilha de Maré.

Sábado de manhã Neto nos ligou e propôs irmos para Loreto – outro destino muito visitado pelos velejadores nos finais de semana.

Loreto é um pouco mais próximo do que Itaparica, e fica situado entre as Ilhas de Bom Jesus e dos Frades. Fica também em frente ao canal de Madre Deus, e ao porto da Petrobrás - o que, diga-se de passagem, prejudica bastante o visual maravilhoso de lá.

Quando Neto ligou, nem pestanejamos. Malas prontas em 2 minutos (mentira, sempre leva umas 2 horas) e lá vamos nós.

Até chegar no clube, preparar as coisas, o barco, etc...acabamos saindo de Aratu lá pelo meio dia.  Combinamos com Neto de ir seguindo o Drakon. Ainda não estamos seguros para aventuras solitárias, um barco experiente por perto faz toda a diferença.

A velejada até Loreto foi deliciosa. Não preciso nem dizer que Mamá, nem bem saiu do canal de Aratú já engatou no sono. O mar estava tranqüilo, o ventinho de alheta e o céu com nuvens mas sem chuva . Durante o percurso fomos prestando atenção em tudo e também na carta náutica para nos familiarizarmos com essa rota que, com certeza, será feita muitas vezes por nós.

A chegada em Loreto é bucólica – se você não olhar para o lado da Petrobrás J. Tem uma igrejinha linda e a ancoragem é feita numa pequena baía que é chamada de Saco de Loreto.

 

 

 

 

Loreto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bom ,chegamos, paramos, filamos uma bóia deliciosa que Neto e Tânia trouxeram e ficamos no Drakon batendo papo. Daqui a pouco chega outro conhecido, o Bandeira, e lá vamos nós conhecer seu Delta 32 cheio de invenções (até descobri de onde vem o talento de um designer de objetos conhecido meu e muito premiado, que é filho dele, Manuel Bandeira).  Depois de mais uns papinhos Mamá ficou com soninho e nós também. Fomos para o Memê, ancoramos um pouco mais longe e ficamos ali, lendo um pouquinho e curtindo aquele lugarzinho diferente.

 

6 horas da manhã e a galera (Bob e Mariana) já estão a mil. Um barco não tem muitos cômodos, quando um acorda, desista de dormir!

 

Dia lindo de sol, uns mergulhos, uns papinhos e voltar para Salvador. O vento e maré estarão contra, Neto nos disse que a velejada não seria das mais fáceis, é melhor ir motorando um pouco...pelo menos até a metade do canal, façam o que eu faço...

 

Assim que saímos da ponta da Ilha dos frades, Neto levanta a Genoa e nós fomos na cola dele. Como não conseguiu nos ligar no celular, e diante da visível ansiedade que o Bob estava de velejar, ele decidiu que iríamos na vela mesmo.

 

 

Bom, o que posso dizer dessa velejada?

 

Não foi nada agradável. O mar estava difícil para a nossa inexperiência. Bob estava no leme e eu na proa, quando íamos cambar eu não tinha força suficiente para puxar os cabos pois o vento estava forte. Com o vento e maré contra, tínhamos que cambar muitas vezes e eu fui ficando cansada e um pouco tensa, pois Mamá estava dormindo (é claro) no cockpit sem muita segurança. O Drakon foi se distanciando e a tensão aumentava pois não conseguíamos fazer as bóias e poderíamos estar passando em lugares rasos. Depois de algumas cambadas mau dadas o Bob me pediu para ir para o leme e aí é que a coisa piorou, pois eu nunca tinha experimentado o leme nessas condições, minha tensão me fez esquecer a literatura, Bob falava para orçar e eu arribava, o barco rodava, enfim, fomos nocauteados pela minha inexperiência e tensão (muito mais do que o Bob que estava tranqüilo e seguro o tempo todo). Ligamos o motor – que alívio – e nos aproximamos do Drakon.

No final, foi tranqüilo, a tensão passou e levantamos a vela novamente até o canal de Aratu.

 

Conclusões da velejada:

1-       temos que treinar mais sozinhos para manter a sincronia nessas condições. Eu, o leme, Bob a proa. A cambada deve ser um pouco mais lenta.

2-       temos que estudar melhor a rota que vamos fazer.

3-       temos que imaginar um modo da Mariana ficar mais segura quando está dormindo, e quando está acordada, principalmente.  Criança não gosta de usar colete nem cinto – se alguém tiver uma dica, aceito sugestões.

4-       mesmo assim, estamos loucos para ir de novo, velejar é muuuiiiito bom!

 

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